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Carlos Lopes (1961)

BIOGRAFIA:
Carlos Roberto Ferreira Lopes (Poconé, MT, 1961). Pintor, ceramista e gravador. De 1979 a 1982 freqüenta o Ateliê Livre da Fundação Cultural e o Ateliê Livre da UFMT, orientado por Dalva de Barros (1935). Em 2001 faz curso de gravura em metal com o pintor e gravador francês Henri Baviera. Sua temática é voltada para a iconografia regional, tendo como temas principais a natureza, a religiosidade e cenas do cotidiano.

CRONOLOGIA:
Nascimento:
1961 - Poconé MT - 07 de outubro.

Formação
1979 - Mato Grosso - Freqüenta o ateliê livre da Fundação Cultural e Universidade Federal do Mato Grosso, orientado por Dalva de Barros; em 1983 estuda história da arte com Maty Vitart e em 2001 faz curso de gravura em metal com Henri Baviera, gravador francês.

Exposições coletivas
1983 - VII Salão Jovem Arte Mato-grossense, Cuiabá, MT;
1984 - VIII Salão Jovem Arte Mato-grossense, Cuiabá, MT;
1984 - Coletiva de Natal, Galeria Laila Zaran, Cuiabá, MT;
1985 - IX Salão Jovem Arte Mato-grossense, Cuiabá, MT;
1987 - Coletiva de Natal, Galeria Uziel, Cuiabá, MT;
1988 - Negra Sensibilidade, MACP, Cuiabá, MT;
1989 - Momentos da República, MACP, Cuiabá, MT;
1989 - XI Salão Jovem Arte Mato-grossense, Prêmio, Cuiabá, MT;
1991 - Arte Aqui é Mato, MACP, UFMT, Cuiabá, MT;
1991 - Arte Aqui é Mato, MASP, São Paulo, SP;
1991 - Arte Aqui é Mato, MAB, Brasília, DF;
1991 - XII Salão Jovem Arte Mato-grossense, Prêmio, Cuiabá, MT;
1997 - XVI Salão Jovem Arte Mato-grossense, Prêmio, Cuiabá, MT;
1998 - XVII Salão Jovem Arte Mato-grossense, Prêmio, Cuiabá, MT;
1998 - Pintando Mural, Prêmio, Cuiabá, MT;
1999 - Pintando Cuiabá, Cuiabá, MT;
2000 - Casa Cor 2000, Cuiabá, MT;
2000 - Artistas do Século, MACP, Cuiabá, MT;
2000 - Prêmio Mato Grosso de Ação Cultural, Prêmio, Cuiabá, MT;
2001 - Oficinas de Gravuras e Arte Digital, MACP, Cuiabá, MT;
2002 - Tradição e Arte Cuiabana, SEC, Cuiabá, MT;
2002 - Gravuras, Festival de Cultura de Várzea Grande, MT;
2002 - Clima Tropical, projeto, Cuiabá, MT;
2003 - Olhar 40, Moitará, Cuiabá, MT;
2003 - I Coletiva de Inverno, Pellegrim Galeria, Chapada dos Guimarães, MT;
2004 - II Mostra de Inverno, Pellegrim Galeria, Chapada dos Guimarães, MT;
2004 - Várias Paisagens, Centro de Eventos do Pantanal, Cuiabá, MT;

Individuais:
1993 - "Pintura", Itaú Galeria, Campo Grande, MS;
1995 - "As Formas do Cotidiano", Fundação Cultural, Cuiabá, MT;
2003 - "Quatro Estações", Pellegrim Galeria, Chapada dos Guimarães, MT.

CONTEXTO:

Escolas e movimentos:
Figurativo: Arte Popular

Gêneros e Tendências:
Paisagem, Composição Figurativa, Natureza-Morta, Pintura de Gênero.

CRÍTICA:
"Carlos Lopes desenvolve um trabalho pictórico silencioso, em que mais vale a junção compositiva entre o desenho e a cor. Aborda vários assuntos formais, que vão dos estrados ou jiraus com peixes, peixeiros e balanças, composições com utilitários domésticos (bules, garrafas, facas, regadores, etc) até mesas de bilhar, misturados a imagens da memória pantaneira (aves, animais, paisagens, estradas, automóveis). O fator interessante é que esses argumentos não são enredados de forma literária ou temática, mas sim compostos plasticamente.
Mais recentemente, o artista vem assimilando elementos vegetais, jardins ou vasos com plantas, a uma linha de sensações despojadas e soltas. Nessa ótica, trabalha com a visão expressionista, valendo-se também de lances surrealistas, porém sem que uma fique a dever à outra. Delicado e mais atento às sensações visuais do que à observação figurativa."
Aline Figueiredo.


"Um certo humor metafísico parece criar metáforas sobre o tempo e a precariedade das coisas."
Marcus de Lontra Costa

Ao observarmos a obra de Carlos Lopes percebemos, em sua maioria, uma temática voltada para a iconografia mato-grossense e brasileira e uma certa influência de memórias pantaneiras.
O artista compõe primeiramente em sua mente, organiza as formas, pensa a disposição dos elementos e cores, desenha, esboça sua idéia para depois trabalhar e aperfeiçoar no suporte definitivo. Isto não torna a obra fria ou racional, ao contrário, demonstra ritmo, calor e movimento.
As perspectivas distorcidas com o congelamento temporal e espacial dos elementos, a diminuição ou ampliação dos mesmos e o tratamento artificial da luz, remete-nos à pintura metafísica ou mesmo ao surrealismo, exceto pelo imaginário que não é nada estranho, ao contrário, é popular, assim como a geometrização das formas e as cores fortes. Carlos nos faz refletir, como se quisesse mostrar que a velocidade do mundo contemporâneo, dos grandes centros, bloqueia o olhar dos detalhes e caprichos da natureza. Contudo, sua veia popular sobrepõe a surrealista, que fica abafada pela simplicidade sintética e geométrica das composições e símbolos populares.
Muitas vezes faz com que signos entrem na composição como formas abstratas, promovendo a repetição. Esta idéia aproxima o artista do ideal proposto pela escola Bauhaus, pois ele fala em trazer a arte para a vida quotidiana, para o povo, pensa em tapeçaria, estamparia, cerâmica, gravura, arte pública etc.
Ele extrai o que há de melhor do popular mato-grossense, do tradicional, do caboclo e funde àqueles conceitos da arte moderna, mas sem perder a noção de brasilidade.

Daniel Pellegrim